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Tertúlia “O Impacto do Voluntariado” em balanço

Após uma interrupção de cerca 3 anos, o Teia D’Ideias regressou à tribuna. Foi na passada noite de 5 de Dezembro na Casa Manuel Teixeira Gomes em Portimão, que teve lugar o 1º Episódio da 4ª Série de tertúlias Teia D’Ideias subordinada ao tema “O Impacto do Voluntariado para o Desenvolvimento Económico e Social Local”, precisamente no dia em que se assinalava o Dia Mundial do Voluntariado para o Desenvolvimento Social e Económico. Em 1985, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 5 de dezembro como o dia internacional do voluntário, de forma a dar a conhecer e promover as ações de voluntariado em todas as esferas da sociedade. Foi também este o grande objectivo desta edição do Teia D’Ideias a um nível local.

O painel de participantes na tertúlia foi constituído por Teresa Mendes, Vereadora da Câmara Municipal de Portimão; José Vieira, representante da Delegação do Algarve do IPDJ; Frederico Lemos, pároco da Paróquia de Nossa Senhora do Amparo e um dos responsáveis pelo seu Centro Social; José Sousa, 2º Comandante dos Bombeiros Voluntários de Portimão em representação da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Portimão; Manuela Santos, Presidente da Cáritas da Paróquia da Igreja Matriz de Portimão; e Maria Fernanda Teixeira, Presidente da Associação Elos de Esperança (voluntários da Unidade Hospitalar de Portimão do Centro Hospitalar Universitário do Algarve).

O mote para o debate foi precisamente dado por um texto publicado recentemente por Maria Fernanda Teixeira: “Ao doarem a sua energia e a sua generosidade, os voluntários respondem a um impulso básico: o desejo de ajudar, de colaborar, de compartilhar alegrias, de aliviar sofrimentos, de compaixão e de solidariedade. Altruísmo e responsabilidade são sentimentos profundamente humanos.”

Teresa Mendes partilhou com os presentes a visão do município de Portimão em relação à importância que o voluntariado tem a nível local, não apenas na dimensão socio-caritativa, mas também em outras dimensões como a cultura, a divulgação do património, ou o desporto. Apesar de não existir ainda um programa específico para a promoção do voluntariado a nível municipal, a autarquia esforça-se por apoiar as associações e colectividades onde os voluntários exercem a sua atividade. José Vieira falou-nos dos vários programas que o IPDJ tem de promoção do voluntariado para os mais jovens e alertou para a situação da procura dos mais jovens por estas experiências ser inclusivamente superior à oferta que está disponível. Salientou a importância da formação dos voluntários, chamando a atenção para a legislação vigente e para os direitos e deveres que os voluntários têm, bem como para as responsabilidades das entidades que usufruem do trabalho voluntário.

Frederico Lemos, José Sousa, Manuela Santos e Maria Fernanda Teixeira partilharam as suas experiências pessoais como voluntários, bem como a atividade desenvolvida actualmente pelas entidades de onde são provenientes. Foi salientado o volume e o impacto que o trabalho voluntário tem no desenvolvimento da importante atividade social que estas associações desempenham na comunidade portimonense.

Da discussão que se seguiu destacam-se algumas ideias importantes, nomeadamente: a importância que o trabalho voluntário tem no crescimento pessoal e social dos mais jovens; a necessidade das escolas serem mais pró-activas na promoção do voluntariado; a constatação de que existe actualmente uma vasta oferta de diferentes formas de voluntariado disponíveis para todas as gerações; a importância do voluntariado na aquisição de competências sociais e na formação do caracter com valores como a disciplina, o esforço, o trabalho e o compromisso; a necessidade de oferta de formação geral sobre o voluntariado para a população, tomando como exemplo os programas que o IPDJ tem disponíveis para os mais jovens.

É de realçar no entanto, que quem se entrega a este ato de cidadania dedica-se muitas vezes mais horas semanais do que as 35 horas dum trabalhador. É necessário também proteger esta generosidade de cada um destes voluntários, de forma a que não haja aproveitamento das entidades responsáveis dum trabalho não remunerado que já não se pode considerar voluntariado. Importa garantir que o voluntariado não seja um substituto de mão-de-obra.

Para terminar a tertúlia, todos os participantes foram convidados a lançar uma ideia ou um repto para a promoção do voluntariado de forma a aumentar ainda mais o seu impacto para o desenvolvimento económico e social a nível local. Ficaram registadas as seguintes ideias:

  • Lançamento em Portimão dum programa de valorização do voluntariado. Dar visibilidade às instituições que promovem o voluntariado e dar visibilidade ao trabalho que os voluntários desenvolvem. Criação pelo município dum prémio de Boas Práticas para premiar projectos de voluntariado locais.
  • Desenvolver um trabalho de coordenação com as várias associações e outras entidades que na cidade acolhem o trabalho voluntário, de forma a coordenar e divulgar a oferta existente a nível local para todos os interessados.
  • Cultivar nas escolas um espírito de cidadania e participação ativa sensibilizando e estimulando os mais jovens para o voluntariado.
  • Valorizar o trabalho do voluntário, não de forma monetária, mas de outras formas como o reconhecimento social, vantagens sociais a nível municipal, realização de atividades recreativas a eles dedicadas, etc.
  • Criação de programas de formação não específica em Voluntariado, que sejam de fácil acesso e sem custos associados para todos os interessados em participar.

O Teia D’Ideias é um projecto do Centro Cidadania Activa e Intervenção Cívica (CAIC) da Teia D’Impulsos com o apoio da Câmara Municipal de Portimão.

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